terça-feira, 6 de abril de 2010

Um poema que expressa todos os nossos desejos




"Para Sara, Raquel, Lia e para todas as crianças"
Carlos Drummond de Andrade

Eu queria uma escola que cultivasse a curiosidade de aprender que é em vocês natural.
Eu queria uma escola que educasse seu corpo e seus movimentos: que possibilitasse seu crescimento físico e sadio. Normal
Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a natureza, o ar, a matéria, as plantas, os animais, seu próprio corpo. Deus.
Mas que ensinasse primeiro pela observação, pela descoberta, pela experimentação.
E que dessas coisas lhes ensinasse não só o conhecer, como também a aceitar, a amar e preservar.
Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a nossa história e a nossa terra de uma maneira viva e atraente.
Eu queria uma escola que lhes ensinasse a usarem bem a nossa língua, a pensarem e a se expressarem com clareza.
Eu queria uma escola que lhes ensinassem a pensar, a raciocinar, a procurar soluções.
Eu queria uma escola que desde cedo usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando corretamente os conceitos matemáticos, os conceitos de números, as operações... pedrinhas... só porcariinhas!... fazendo vocês aprenderem brincando...Oh! meu Deus!
Deus que livre vocês de uma escola em que tenham que copiar pontos.
Deus que livre vocês de decorar sem entender, nomes, datas, fatos...
Deus que livre vocês de aceitarem conhecimentos "prontos", mediocremente embalados nos livros didáticos descartáveis.
Deus que livre vocês de ficarem passivos, ouvindo e repetindo, repetindo, repetindo...
Eu também queria uma escola que ensinasse a conviver, a coooperar, a respeitar, a esperar, a saber viver em comunidade, em união.
Que vocês aprendessem a transformar e criar.
Que lhes desse múltiplos meios de vocês expressarem cada sentimento, cada drama, cada emoção. Ah! E antes que eu me esqueça:
Deus que livre vocês de um professor incompetente.


Bom! Só o que posso dizer para completar é: Deus me livre de ser um professor incompetente para meus alunos!!!

Super Bjokas Pro Shirley

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Um pouco de biografia

A pouco tempo atrás, num curso, foi solicitado que fizessemos uma relato de nossa história de educação. Parei para pensar na minha história e gostei do que escrevi. Todos nós somos frutos das vivencias que tivemos, boas ou más, e todas estas vivencias formam nossas histórias de vida. Essa é a minha, espero que gostem!
Era uma vez uma menina de cinco anos, alta para sua idade, um tipo muito moleca, com duas grandes tranças negras, numa cidade pequena chamada Diadema e morando num bairro violento, chamado Campanário gostava de brincar de escolinha e dava aulas aos menores ou maiores que entravam na sua brincadeira.
Era um pouco autoritária porque era ela que sempre era a professora. Havia a algum tempo antes seduzido um tio que lhe dera de presente uma caixa de giz e seu padrasto lhe havia improvisado uma lousa com uma tábua que sobrara de uma de suas construções para que ela parasse de rabiscar as paredes. Sendo assim ela a dona da lousa e do giz, não havia espaço para discussões. Ela era a professora.
O engraçado é que mesmo sem saber escrever “de verdade” ela escrevia, copiava escritas de coisas que tinha próximo. Livros? Não tinha, sobrava mesmo as embalagens que a mãe deixava ela pegar ou que encontrava no lixo ou na rua. Com o tempo ganhou cadernos velhos com algumas folhas em branco. Isso não tinha importância. Desenhava, escrevia os nomes das crianças que estavam na brincadeira.
Na verdade essa menina já tinha demonstrado que sabia o que era escrita há algum tempo atrás. Com 4 anos, mais ou menos, arrumou um “namorado”, um rapaz de 27 anos que trabalhava com seu padrasto e que dizia que era namorado dela e foi para ele que escreveu sua primeira carta. Ninguém sabe ao certo o que estava escrito, porque do ponto de vista do adulto eram apenas muitas cobrinhas numa folha. Mas a menina, essa sim, sabia o que estava escrito e lia alegremente para quem quisesse ouvir a carta que entregaria para o “namoradinho”.
O bonito dessa história é que as pessoas que rodeavam essa menina eram, na sua grande maioria, analfabetos ou semi-alfabetizados, mas todos respeitavam a brincadeira dela e a respeitaram. Sem querer e sem saber todos estavam deixando e dando condições para que ela, brincando decodificasse o código da língua escrita.
Essa menina chegou a primeira série, sem fazer o “parquinho”, como era chamado a Educação Infantil da época, já alfabética. Por sorte sempre foi uma aluna adaptada à escola. A única reclamação das professoras era de que ela falava demais, nunca precisou repetir o ano, mas lembra-se muito bem de que quando entrou na primeira série tinham 4 salas com 35 alunos em cada, ficou na mesma escola até completar a oitava série, que só tinha duas classes com 25 alunos em cada. O que aconteceu com mais da metade dos alunos da primeira série que não chegaram à oitava? Isso já preocupava, não se sabe por que, os pensamentos da menina.
O seu irmão ia ser reprovado pela 2ª vez no quarto ano porque não entendia divisão e não entendia os problemas de matemática. A menina ensinou o irmão e dois vizinhos, brincando sério de escolinha e escrevendo no espelho do guarda roupas do quarto e contando com pedrinhas. Sua mãe ajudava trazendo-lhes bolo e suco para o intervalo, seu padrasto fornecia as pedrinhas para a contagem. Nenhum dos três foi reprovado, aprenderam a divisão e passaram na recuperação. Um vizinho adulto precisa aprender a escrever o nome para assinar a carteira de trabalho e foi procurar a menina, que então estava na sexta série. Ela ensinou ele também. A mãe da menina vendo tudo isso falou com ela que queria aprender a ler melhor e escrever melhor para preencher seus próprios cheques e pagar suas contas. É que a mãe da menina tinha, a essa época, um bar e fazia várias compras e pagava com cheques e estava sempre chamando a menina para preencher, mas quando a menina não estava, ficava sem graça de ter de pedir a outros. A menina conseguiu um livro de poesias e deu para sua mãe, o livro chamava-se Mar Negro. Elas liam e reliam essas poesias, copiavam e reescreviam as poesias uma para a outra, modificavam algumas palavras e quando viram sua mãe já preenchia seus próprios cheques.
A irmã de um colega não conseguia entender o que era sujeito e predicado e o irmão dela pediu ajuda a menina, agora mais crescida. A menina sentou perto de sua nova aprendiz e primeiro quis saber o que ela já sabia e como ela pensava algumas estruturas. Em três aulas a menina entendeu o que era sujeito e predicado.
Nesse movimento a menina foi ajudando na alfabetização de uns e outros, mas a grande alfabetizada foi ela mesmo que viu na necessidade dos outros a importância das letras e foi na formação do outro formando a si mesmo.
O que aconteceu com a menina? Fez magistério e hoje é professora “de verdade”!
Mil beijos
Pro Shirley

domingo, 28 de março de 2010

Até quando intervir na natureza??

Todo mundo conhece alguém cujo espírito de preservação da natureza o faz quase um descendente direto do Curupira, aquela figura mítica do folclore brasileira que protege animais e plantas da floresta. Essas pessoas não medem esforços para salvar formigas, aranhas, lagartixas e joaninhas dos sapatos e chinelos dos insensíveis e práticos que se sentem ameaçados por estes insetos. Jogam-se na frente dos chinelos e pegam os indefesos bichinhos e colocam-nos para fora com todo carinho, depois vem com aquela conversa sobre a invasão humana no habitat desses animais, o derretimento das calotas e na primeira oportunidade mandam-lhe um e-mail para assinar as lista para salvamento das baleias e focas do ártico.
Estou brincando um pouco, mas estas pessoas devem ser respeitadas, elas sentem de fato um amor imenso por tudo que é vivo. Engraçado! Exceto as baratas! Não conheço nenhum deles que queira salvar as baratas! Que doido né! Bom tudo bem, foi só um aparte.
Uma dessas pessoas trabalha comigo e voltou do almoço num dia desses, bastante entristecida e relatou a seguinte história...
Estava ela e outra colega de trabalho subindo a rua de sua casa no horário de almoço quando viu duas minhocas quase mortas por desidratação no asfalto próximo a calçada. Ela olhou e pensou: “Veja só! O homem mexe tanto na natureza e quem sofre são os pobres animaizinhos que não conseguem furar o asfalto e vão morrer se ficarem ai!” sem pensar mais nada e para espanto da colega que subia com ela, correu num ímpeto de salvar vidas e pegou as minhocas com todo cuidado colocou-as na palma da mão e levou-as até um canteiro próximo de onde estavam. Como um bom Elemental, protetor da natureza, observou que a terra deste jardim estava um pouco seca e que as minhocas, enfraquecidas, teriam dificuldade de entrar na terra, por isso colocou algumas folhas sobre as minhocas para protegê-las do sol e foi para casa terminar seu horário de almoço.
No retorno ao trabalho, antes de sair de casa pegou um potinho de iogurte no seu lixo reciclado e, ainda compadecida com a história da minhoca, pegou água para molhar a terra onde elas haviam ficado.
Acontece que ao chegar no canteiro onde as minhocas estavam e levantar as folhas que protegiam-nas do sol deparou-se com uma cena trágica e cruel... As minhocas estavam sendo comidas vivas por centenas de formigas. Ainda tentou jogar água nas formigas para que elas se afastassem, mas só o que conseguiu foi o deslocar de algumas delas, por fim frustrada e dando-se por vencida ela voltou ao trabalho deixando as minhocas como banquete das formigas.
Infelizmente não pude deixar de rir dessa história, tentei respeitar a dor da minha querida colega, mas ri muito.
Um pouco depois conversamos sobre o fato, de forma um pouco mais racional e coloquei minha opinião sobre estas interferências, para mim o que ocorreu é natural, é o que acontece quando ficamos tendo atitudes isoladas e sem controle no ímpeto de proteger a natureza. A natureza tem suas formas, que olhando nua e cruamente parecem cruéis, de resolver seus problemas como excesso de população de uma mesma espécie, reaproveitamento de restos e reciclagem. Isso é o ciclo da vida! A cadeia Alimentar. O ser humano é que, na tentativa de preservar alguns do que imagina ser crueldade de outros predaores, muitas vezes interfere e cria verdadeiras catástrofes por desequilíbrio e acaba levando diversos grupos de animais a extinção. É o caso de infestação de ratos, de pombos entre outros que sem predadores naturais acabam sendo problemas nas grandes cidades. Não que a ação de minha amiga fosse levar a isso, mas a questão não é só dela a de todos.
Na melhor das hipóteses algumas dessas pessoas cria problemas para si e para os vizinhos. Quem já não teve aquele vizinho que faz da sua casa um hospital e abrigo para animais e acabam criando uma fauna sem controle, infestando a vizinhança de pequenos insetos, como pulgas e carrapatos, mau cheiro e excesso de barulho. Não sou contra estes naturalistas urbanos, mas é preciso que se pense no respeito ao próximo, o que inclui também os animais que muitas vezes ficam presos em espaços pequenos e mal higienizados e com alimentação inadequada. Existem muitas ONGs e órgãos públicos que se responsabilizam pelo cuidado de animais abandonados, estes grupos possuem pessoal com formação e local adequado para acolher esses casos e podem buscar responsabilizar alguns casos, já que hoje é crime o abandono de animais.
Também sou a favor de salvar a natureza e garantir um mundo melhor para as novas gerações, temos de assumir nossa responsabilidade com o planeta, por isso reciclo meu lixo e óleo, reduzo a quantidade deles, busco alternativas biodegradáveis e busco passar para os pequenos com quem trabalho a importância de se respeitar a biodiversidade do planeta, participo de campanhas que visam a sustentabilidade do planeta, mas acredito que o salvamento de animais deve ser deixado para entidades e profissionais com condições melhores de intervenção, em vez de levá-los para casa ligue para as entidades ou leve o animal até eles, denuncie abandono e maus tratos, contribua financeiramente, seja voluntário. Você estará sendo mais responsável e isso também ajuda a salvar vidas.
O recado é este!!

Quem quiser alguns endereços e telefones, no Brasil, de Associações de proteção a animais abandonados acessem os sites:
http://www.projetoproanimal.com.br/Entidades.php
http://associacaoamar.spaces.live.com/
http://www.dispro.com.br/njv/aaa/historico.html

Esses são só alguns, tem muito mais!!!
Bjs CP Shirley.
 

domingo, 14 de março de 2010

Mais um pensamento de criança


O caso das bananas!!



Dona Sô, como toda boa mãe, dizia sempre a seu filho de 5 anos, que aqui chamaremos de Gu, que se recusava a comer frutas e legumes, as vantagens que, na visão dela, ele supostamente estaria perdendo. Mas seu mais repetido discurso era sobre a Banana: “Quem come banana não tem câimbra!” repetia ela várias vezes na semana ao filho que pretendia ser jogador de futebol. “Atleta precisa comer bananas porque bananas evitam câimbra!”
O menino olhava para a mãe e saia sem comer nenhuma bananinha, como se não estive entendendo o que sua progenitora insistentemente dizia.
Acontece que um dia a família estava indo em direção ao interior de São Paulo e passou por uma grande plantação de bananas. Gu olhou espantado para aquele “tantão” de bananas e concluiu:
----Mãe! Quem mora aqui não vai ter câimbras nunca, isso eu tenho certeza!!!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Pensamento de Criança


Criança pensa e como pensa!


Na educação Infantil de 0a 3 cada sala tem 3 educadores. Um professor e dois auxiliares. No horário do almoço estes profissionais se revezam e saem enquanto as crianças dormem. Num desses dias, numa sala de 3 anos, a professora iria usar o horário do almoço para ir ao banco, por isso pegou sua bolsa e se despediu das colegas e das crianças que ainda estavam acordadas. A partir daí iniciou-se o seguinte diálogo por uma das crianças:
----- Porque você esta saindo com a bolsa?
----- Eu preciso ir ao banco! Respondeu a professora e saiu.
A menina continuou com a educadora que ficou na sala:
----- Porque ela tem de ir ao banco? Perguntou a menina.
----- Por que ela recebeu hoje e vai até lá pegar um pouco do seu dinheiro! Respondeu a educadora.
----- Ela recebeu o que?
----- O pagamento dela!
A educadora vendo a cara de dúvida que a menina fez resolveu explicar melhor a situação:
----- É que todo dia ela vem aqui ficar com vocês, brinca, conta histórias e no fim do mês a Prefeitura deposita um dinheiro para pagar pelo trabalho que ela faz!
A menina calou-se, deitou, não fez mais nenhuma pergunta e ficou com cara de emburrada. A educadora não entendeu, mas deixou quieto.
Quando a professora chegou viu a mesma menina sentada com os braços cruzados e cara emburrada para ela, perguntou a educadora o que aconteceu e ela contou-lhe sobre o diálogo e explicou que depois da conversa ela ficou daquele jeito.
A professora sentou-se ao lado da menina e perguntou:
----- O que houve? Porque você está brava?
A menina disparou:
----- Não é justo! Eu também venho aqui todo dia, brinco com você e a prefeitura não me da nem uma moedinha, só pra você!
As educadoras não conseguiram contem o riso e dessa vez quem não entendeu nada foi a menina!


Bom pessoaL por enquanto é isso!!

Bjkas Professora Shirley

terça-feira, 9 de março de 2010

Unesco Alerta sobre grave crise mundial na educação


PARIS (AFP) — Milhões de crianças em todo o mundo estão condenadas à pobreza no futuro, sem chances de ter acesso à educação, devido ao fracasso dos governos em suprimir as desigualdades sociais, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela Unesco.
O documento que avalia a educação no mundo para 2009, intitulado "Superando a desigualdade: por quê o governo é importante", aponta uma série de disparidades "inaceitáveis", tanto a nível nacional como internacional, que acabam anulando os esforços para alcançar os objetivos de desenvolvimento global.
Ao indicar os responsáveis pela atual situação, o relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) denuncia a indiferença política, as fracas estratégias nacionais de educação e a atitude de doadores na hora de transformar suas promessas em atos.
A esse respeito, o diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, comparou a reação imediata dos governos frente à crise financeira atual, desembolsando trilhões de dólares, e a atitude em relação aos problemas educacionais.
"Quando os sistemas de educação estão em crise, sua repercussão é menos visível, mas não por isso menos real", explicou Matsuura.
"A desigualdade de oportunidades na educação é um fator de aumento da pobreza, da fome e da mortalidade infantil, e reduz as perspectivas de crescimento econômico", acrescentou.
E esta situação não atinge apenas os países pobres.
"Nos países em desenvolvimento, uma em cada três crianças - ou seja, 193 milhões ao todo - começam o ensino básico com problemas de desenvolvimento cerebral causados pela desnutrição, e com escassas perspectivas de adquirir uma boa educação", afirma o documento.
Quanto ao nível de escolarização global, "75 milhões de crianças em idade de freqüentar o ensino básico estão sem ir à escola em todo o mundo".
O relatório da Unesco adverte que as estatísticas relativas às crianças que não vão à escola são apenas um indicador parcial da magnitude do problema. Há, além disso, milhões de jovens que entram na escola e a abandonam prematuramente, sem terminar sequer o ensino básico.
Nos países ricos, mais de um terço dos alunos do ensino básico chega ao ensino superior e conclui seus estudos universitários. Por outro lado, na maior parte da África Subsaariana, apenas 5% deles chega à universidade, segundo o texto.
O grau de pobreza não é o único fator de desvantagem na educação. As disparidades entre meninos e meninas em matéria de escolarização continuam figurando como uma importante questão nas regiões da Ásia Meridional e da África Subsaariana.
O relatório cita ainda fatores de profunda influência, como o idioma, a raça, o grupo étnico e o local de domicílio (zona rural ou urbana).
A partir destes elementos, o documento alerta para as poucas chances reais de que se alcance, em 2015, o objetivo internacional de universalizar o ensino básico.
Segundo uma série de projeções parciais, em 2015 o número de crianças fora da escola chegará a 29 milhões, no mínimo, sem incluir os países em guerra.
Além disso, a Unesco questiona também a qualidade da educação, levando em conta o fato de que muitas crianças terminam o ensino básico sem ter adquirido habilidades elementares de leitura, escrita e matemática.
De acordo com o relatório, o analfabetismo também continua sendo um grave problema: estima-se que 776 milhões de adultos em todo o mundo (16% da população mundial) ainda não sabem ler nem escrever.
Dois terços dos analfabetos são do sexo feminino. E, se as tendências atuais persistirem, o mundo ainda terá 700 milhões de adultos analfabetos em 2015.
É duro pessoal!
Bjkas Shirley

quarta-feira, 3 de março de 2010

Uma história insólita sobre solidariedade!

O Brasil, infelizmente, ainda precisa aprender muito sobre respeito, de fato é quase graduado em desrespeito. Desrespeito as leis, aos direitos fundamentais do ser humano. Dentre este desrespeito todo, um deles é o desrespeito a memória da sua história, principalmente a memória viva que aparece através das belas e emocionantes histórias que são contadas pelos mais velhos.
Os idosos carregam consigo uma enorme quantidade de relatos que poderiam ilustrar a mais variada gama de conceitos para o desenvolvimento dos valores fundamentais à Educação em Direitos Humanos, que compreende como diz o texto de Clodolado Meneguello Cardoso: a percepção da diversidade, a consciência de igualdade e o sentimento de solidariedade. O resgate cultural e a sabedoria simples que se pode emanar durante uma conversa com uma pessoa mais idosa é algo imperdoável quando desprezado.
Por acreditar nisso que nunca fujo de uma boa conversa quando encontro um velhinho bom de papo. Num desses finais de semana conheci um senhor chamado carinhosamente de Seu Agostinho que me deu uma ótima história para ilustrar a idéia que se tinha de solidariedade há uns 60 anos atrás no interior de Minas Gerais. A história que me contou foi a seguinte:
Quando ele tinha uns 17 anos, nas paragens do interior de minas por onde morava era difícil carro e mesmo carroça não era todo mundo que tinha, sendo assim quando uma pessoa de família pobre morria a família do falecido tinha de levá-lo para o cemitério a pé.
A maioria das pessoas fazia os caixões e o velório em casa mesmo, e quando não tinham nem o caixão enrolavam o defunto numa rede. E o caixão ou a rede eram pendurados em duas varas de madeira e em comitiva um grupo de parentes saia de casa carregando o difundo nos ombros. Segundo ele o grupo ia em marcha rápida quase correndo. Ao longo do caminho quando avistavam alguma pessoas eles começavam a gritar:
----- Caridade, caridade, caridade!!
Ao ouvir isso as pessoas paravam de fazer o que estavam fazendo e rendiam as pessoas que estavam carregando o defunto e corriam levando o corpo por uns 10 ou 15 minutos à frente, tempo para que os parentes se recuperassem do cansaço e dores no ombro causado pelo peso do caixão e a correria. Esse movimento era repetido por várias pessoas, durante o percurso, até que chegassem ao local do enterro.
Segundo seu Agostinho, no enterro mesmo acabava chegando só os parentes do falecido que haviam saído de casa juntos, o restante das pessoas que ajudavam iam ficando pelo caminho, cada um há seu tempo dando um pouco de caridade durante o trajeto.
É pessoal acho que naquela época, apesar das inúmeras dificuldades, pelo menos o pessoal de minas onde seu Agostinho nasceu era mais solidário.
Super Beijos
Professora Shirley

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Que hora eu vou brincar?







Pequeno cidadão
Arnaldo Antunes / Antonio Pinto



Agora pode tomar banho

Agora pode sentar pra comer

Agora pode escovar os dentes

Agora pega o livro, poder ler

Agora tem que jogar videogame

Agora tem que assistir TV

Agora tem que comer chocolate

Agora tem que gritar pra valer

Agora pode fazer a lição

Agora poder arrumar o quarto

Agora pega o que jogou no chão

Agora pode amarrar o sapato

Agora tem que jogar bola dentro de casa

Agora tem que bagunçar

Agora tem que se sujar de lama

Agora tem que pular no sofá


É sinal de educação

Fazer sua obrigação

Para ter o seu direito

De pequeno cidadão









Muito frequentemente vemos educadores, filósofos, ONGs, religiosos e outras celebridades em inúmeras cruzadas contra o trabalho infantil, o que é muito nobre e necessário. Afinal a exploração infantil é cruel, desumana. Que bom que estas pessoas existem e gritam para todos em todos os lugares para que estas práticas sejam erradicadas.
O que de fato buscam nestas batalhas? Não são estas justas pelo direito a infância, direito de ser criança?

Hoje estava vendo um pouco dos Jogos Olímpicos de Inverno e durante uma apresentação de Ginástica Artística, observei uma apresentação de um menino de aproximadamente 8 anos, fazia parte de um espetáculo durante um intervalo dos atletas. Ele fazia piruetas como profissional, com uma coreografia muito bem executada. Fiquei pensando em quanto tempo aquele menino tão pequeno, teria treinado para fazer aquela apresentação. Apresentação primorosa, realmente muito bonita, mas fiquei realmente pensado será que ele tem tempo de brincar??

Me preocupa a situação de crianças, onde a condição econômica não é problema, mas que fazem tanto estas crianças, que acabam sendo vitimas do excesso de atividades e assim como as crianças trabalhadores estão perdendo o direito à infância. São crianças que estudam o dia todo e depois das aulas obrigatórias ainda fazem ballet, judo, natação, sapateado, futebol, inglês, francês, janponês,... espanhol, ginástica, canto, coral ... Ufa!!!



Acredito que é muito bom que as crianças joguem bola, façam natação e ballet entre outras atividades, mas qual a dosagem delas? Muitas vezes na tentativa de proporcionar um futuro melhor a seus filhos ou na expectativa de ter futuros atletas olímpicos os pais sobrecarregam os pequenos de atividades extras escolares e essas crianças após tantos treinos e atividades programadas chegam em casa cansados e com sono. Tomam banho e vão dormir para no dia seguinte continuar sua maratona rotineira

Essas crianças normalmente tem quartos em ordem com lindos brinquedos impecavelmente arrumados nas prateleiras a espera do dia que essa criança poderá tirá-los de lá. São crianças muita ordeiras e disciplinadas certamente, mas o que quero saber é quando, em que horário elas vão brincar?

Faço então uma proposta: vamos incluir no rol de atividades dessas crianças horários para que elas possam brincar! Que tal? Entre uma atividade e outra, uma brincadeira. Brincadeira de verdade, que a criança vai escolher, aonde a criança vai dizer de que, como e com quem ela vai brincar!


Beijocas Pro Shirley






sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pensamento de criança!!



Passando por uma aluna da escola que vinha saindo do lanche puxei conversa e deu-se o seguinte diálogo:

-----O que tem de lanche hoje?

----- Tem canela!

Não entendi e meio espantada:
-----Como assim canela?

-----Para acompanhar o arroz doce que vem depois??

Finalizou a conversa completando:

-----Se você esperar um pouco mais vem maçã depois, mas não coloca canela que não fica muito bom!

Ela foi embora e eu fiquei com cara de boba, rindo muito da minha ignorância inicial e encantada com a forma de pensar daquela pequena menina que vendo o pontinho com canela na mesa concluiu que este era o prato principal. Muito coerente não acham!!
"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina"
(Cora Coralina)

O desafio de fazer um Blog!!



Como foi que eu me meti nessa coisa de ter um blog?


Bom, em 2010 me inscrevi no curso Diversidade Cultural, pela UNESP, e na aula presencial do dia 06/02 estava eu, aluna comportada, sentadinha, aguardando a professora informar qual seria o formato do Trabalho de Conclusão de Curso - TCC - e ela me vem com essa novidade: "Vocês farão um blog!"


Como assim? Nosso trabalho deve ser postado num blog? Eu nunca fiz um blog!! Aliás nunca se quer pensei ou tive vontade de fazer um blog! Mas agora terei de pensar no assunto, tenho de colocar meu trabalho num blog!! Mas que blog? Qual o formato? Com que conteúdo? Tá! Parte do conteúdo deve ser ligado aos temas do curso, mas qual parte eu selecionarei para postar??


Depois de muito analisar estas perguntas, feitas por mim e para mim, fiz algumas pesquisas em vários blogs, chorei um pouco no ombro de colegas de curso e da minha querida tutora e resolvi fazer deste blog um espaço para colocar minhas opiniões e vivências relacionadas a educação, principalmente contando a relação com as crianças com que trabalho.


Usar este espaço também para contar histórinhas do meu dia a dia levando em consideração o tema diversidade e respeito. Pretenciosamente quero fazer desse blog um espaço autoral, mas haverá muitos textos de outros autores porque como diz Milton Nascimento "certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim, que perguntar carece: como não fui eu que fiz?". Pois bem certos textos também, já tão bem escritos, dizem tanto do que penso que perguntar carece: como não fui eu que fiz? E quando estes textos aqui aparecerrem é porque dizem um pouco de mim.


As opiniões aqui colocadas são apenas minhas opiniões, portanto você que esta lendo pode ou não concordar com ela, pode também, se quiser, colocar seu ponto de vista, terei prazer em ler outras colocações e se considerar cabível a mim, transformar a minha na sua e sua na minha opinião, pois "prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo!" ( Raul Seixas)


Sejam bem vindos!!!


Shirley de Souza