quarta-feira, 3 de março de 2010

Uma história insólita sobre solidariedade!

O Brasil, infelizmente, ainda precisa aprender muito sobre respeito, de fato é quase graduado em desrespeito. Desrespeito as leis, aos direitos fundamentais do ser humano. Dentre este desrespeito todo, um deles é o desrespeito a memória da sua história, principalmente a memória viva que aparece através das belas e emocionantes histórias que são contadas pelos mais velhos.
Os idosos carregam consigo uma enorme quantidade de relatos que poderiam ilustrar a mais variada gama de conceitos para o desenvolvimento dos valores fundamentais à Educação em Direitos Humanos, que compreende como diz o texto de Clodolado Meneguello Cardoso: a percepção da diversidade, a consciência de igualdade e o sentimento de solidariedade. O resgate cultural e a sabedoria simples que se pode emanar durante uma conversa com uma pessoa mais idosa é algo imperdoável quando desprezado.
Por acreditar nisso que nunca fujo de uma boa conversa quando encontro um velhinho bom de papo. Num desses finais de semana conheci um senhor chamado carinhosamente de Seu Agostinho que me deu uma ótima história para ilustrar a idéia que se tinha de solidariedade há uns 60 anos atrás no interior de Minas Gerais. A história que me contou foi a seguinte:
Quando ele tinha uns 17 anos, nas paragens do interior de minas por onde morava era difícil carro e mesmo carroça não era todo mundo que tinha, sendo assim quando uma pessoa de família pobre morria a família do falecido tinha de levá-lo para o cemitério a pé.
A maioria das pessoas fazia os caixões e o velório em casa mesmo, e quando não tinham nem o caixão enrolavam o defunto numa rede. E o caixão ou a rede eram pendurados em duas varas de madeira e em comitiva um grupo de parentes saia de casa carregando o difundo nos ombros. Segundo ele o grupo ia em marcha rápida quase correndo. Ao longo do caminho quando avistavam alguma pessoas eles começavam a gritar:
----- Caridade, caridade, caridade!!
Ao ouvir isso as pessoas paravam de fazer o que estavam fazendo e rendiam as pessoas que estavam carregando o defunto e corriam levando o corpo por uns 10 ou 15 minutos à frente, tempo para que os parentes se recuperassem do cansaço e dores no ombro causado pelo peso do caixão e a correria. Esse movimento era repetido por várias pessoas, durante o percurso, até que chegassem ao local do enterro.
Segundo seu Agostinho, no enterro mesmo acabava chegando só os parentes do falecido que haviam saído de casa juntos, o restante das pessoas que ajudavam iam ficando pelo caminho, cada um há seu tempo dando um pouco de caridade durante o trajeto.
É pessoal acho que naquela época, apesar das inúmeras dificuldades, pelo menos o pessoal de minas onde seu Agostinho nasceu era mais solidário.
Super Beijos
Professora Shirley

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